HIV/DST: Falta de informação e tabus colocam população jovem em risco no Brasil

Postado em 11/12/2014
A morte do cantor Cazuza, há 24 anos, marcou uma geração e levantou discussões sobre a causa do seu falecimento.  Quatro anos mais tarde, outro ícone do rock dos anos 80, Renato Russo, fez milhares de fãs chorarem sua partida em 1996. Ambos eram portadores do vírus HIV/Aids e faleceram por consequências da doença. Mesmo depois de toda a repercussão e campanhas de incentivo ao uso de preservativo, o número de jovens soropositivos só aumentou no Brasil.
 
Para a médica infectologista Silvana de Lima, os dados assustadores estão relacionados a questões de comportamento sexual. “Os jovens estão iniciando a vida sexual mais cedo, de forma desprotegida e inconsequente. A maioria acha que ninguém mais morre de Aids,  e que se pegarem o vírus é só tomar o remédio que está tudo bem. Porém, a Aids ainda representa uma doença grave e que mata”, informou Silvana, que também é coordenadora do Programa de DST/Aids e Hepatites Virais do Amazonas.
 
A jornalista Amanda Amorim, 25, ainda era criança quando os cantores morreram, mas na adolescência se tornou uma fã do exagerado Cazuza e do poeta Renato Russo. “Sempre comento sobre isso em rodas de amigos. Na época em que eles morreram o assunto virou uma febre. Mas as pessoas esqueceram que a doença é muito grave e não estão se prevenindo”.
 
Mesmo vivendo em uma década em que a tecnologia facilita a troca de informações, a jornalista acredita que os jovens não se sentem a vontade ao falar da doença. “Ainda é um tabu. Muita gente não gosta de ouvir sobre o assunto e sente medo de fazer exames. Por mais que a mídia divulgue, ainda existe muito preconceito”.
 
‘Aids não tem cara’
 
A estudante Tayane Retrois, 15, está no 1º ano do Ensino Fundamental e sente falta de diálogos sobre o assunto. “Os jovens julgam o HIV como uma outra DST  qualquer. Eu penso diferente e tenho amor pela minha vida. Mas conheço muitas meninas que agem por impulso e esquecem que a Aids não tem “cara’”.
 
E não tem mesmo. Antes, era comum ouvir falar sobre grupos de riscos, formados por homossexuais, usuários de bebidas alcoólicas e outras drogas. Porém, de acordo com a infectologista Silvana de Lima, os números apresentam outra realidade. “As estatísticas mostram que homens, não só homossexuais como também heterossexuais, mulheres, profissionais do sexo e usuários de droga estão se contaminando. Existem populações que o Ministério da Saúde denomina, hoje, de populações chave, em que ocorre uma maior vulnerabilidade, onde os jovens, de 15 a 24 anos se destacam”.
 
‘PEP sexual’
 
Muita gente não sabe, mas a PEP (Profilaxia Pós-Exposição) é uma forma de prevenção da infecção pelo HIV usando os medicamentos que fazem parte do coquetel utilizado no tratamento da Aids. “Os medicamentos e exames específicos para DST de forma emergencial devem ser adotados preferencialmente nas primeiras duas horas após a relação sexual de risco, sem o uso da camisinha, ou caso esta se rompa”, informou a infectologista.
 
Por se tratar de uma medida emergencial, os locais apropriados são serviços que atendem 24h. Na capital, o Serviço de Pronto Atendimento da Fundação de Medicina Tropical é a referência para este primeiro atendimento. “Entretanto, isso não deve se tornar uma rotina, pois os medicamentos trazem efeitos colaterais que podem coloque em risco a saúde da pessoa”, alertou. Desde 2013 até outubro deste ano, foram utilizados 230 kits de PEP sexual.
 
Onde fazer:
 
Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado – rua Pedro Teixeira, 25, Dom Pedro
 
Fundação Alfredo da Matta – rua Codajás, Cachoeirinha 
 
Policlínica Raimundo Franco de Sá – rua V,  Nova Esperança 1
 
Policlínica Antonio Reis – rua São Luiz, São Lázaro
 
Policlínica Comte Telles – rua J, Etapa B, São José
 
Policlínica Dr. José Antonio da Silva – rua das Aroeiras, Monte das Oliveiras
 
UBS Sálvio Belota – rua João Montefusco, Santa Etelvina
 
Policlínica Ana Barreto – avenida Grande Circular, Monte Sião, Jorge Teixeira

Fonte: acritica.com.br